Existem alguns aspectos na construção de um sistema de pensamento que são fundamentais. Uso a palavra fundamental em seu significado primeiro; que serve de fundamento, basilar. Esses aspectos são como que pedras do alicerce sem as quais o edifício não pode se sustentar, tornando-se incoerente e até mesmo deixando de ser o que ele é.
Uma dessas pedras fundamentais de um sistema é sua concepção acerca de Deus. Por vivermos num mundo criado por Deus, mantido por Ele, e que se direciona para a sua glória, todo o pensamento é inevitavelmente teo-referente (Rm 11.36). Ou seja, todo edifício teórico depende de uma visão acerca de Deus, além de ser intrinsecamente religioso, um ato de adoração, ora ao Deus verdadeiro, ora a um ídolo qualquer. Sendo assim, em todo edifício teórico, seja ele cristão ou apóstata, aquilo que se crê acerca do ser de Deus e de suas obras é completamente determinante para a construção dos demais aspectos do sistema.
A teologia relacional é a redefinição de um dos conceitos fundamentais da fé cristã. E como não se pode fazer isso sem comprometer a segurança do edifício, e sem que o mesmo deixe de ser o que ele de fato é, pode-se dizer que a teologia relacional compromete o todo do cristianismo, e não pode ser considerado como tal. Dentre as doutrinas comprometidas por essa nova concepção acerca de Deus encontram-se:

I – A doutrina da inspiração e inerrância das Escrituras Sagradas: A concepção de que Deus não tem controle soberano e conhecimento das coisas futuras, e de que o homem possui completa autonomia coloca o machado na raiz de toda e qualquer garantia de que os homens foram livrados do erro quando registraram a revelação divina.

II – A doutrina da eleição: A negação do conhecimento amplo e definitivo de Deus compromete a doutrina da eleição, tanto na perspectiva calvinista quanto arminiana. Se os indivíduos e suas ações não podem ser conhecidos por Deus antes que existam, Deus não pode tê-los eleito, seja essa eleição baseada nas obras ou não.

III – A doutrina da Obra Vicária de Cristo: Além de impossibilitar a doutrina da eleição, a teologia relacional faz o mesmo com a obra vicária de Cristo na cruz do Calvário. Segundo a Escritura, Cristo morreu substituindo os eleitos de Deus. Se o futuro é desconhecido por Deus, e, portanto os indivíduos não são conhecidos por Ele antes de existirem, a quem Cristo substituiu?

IV – A doutrina da consumação: Por fim, essa redefinição da liberdade do homem, e do ser de Deus e suas obras abala qualquer esperança escatológica. Se Deus está sujeito às mudanças inesperadas, nada pode garantir que ele cumprirá o que prometeu. Se tudo está aberto e indefinido não podemos ter a certeza de que o bem finalmente triunfará.

Portanto, a teologia relacional não é uma simples redefinição. A negação do conceito tradicional de Deus compromete seriamente todo o edifício da fé cristã. Sendo assim, a teologia relacional não pode ser vista como mais um ramo dentro do cristianismo, pois é “outro evangelho”. O Deus apresentado por essa nova corrente de pensamento é um outro Deus, e não o Deus da Escritura Sagrada. Cuidemos para que não sejamos afetados por essa visão que deprecia o ser de Deus e suas obras; diviniza o homem; desonra a Cristo, e desesperança a Igreja.