Relacional Talvez, Revelacional não!!! (2ª parte)
Publicado por Filipe Fontes em 30 Jul 2007 | sob: Rev.Filipe
O homem é livre! Deus é limitado em seu governo e conhecimento! Essas são as duas afirmações básicas da teologia relacional. No último post analisamos a afirmação acerca do homem, e agora nos cabe a análise da afirmação feita acerca de Deus.
Segundo a teologia relacional o fato de que Deus deseja ter um relacionamento de amor com o homem exigiu que Ele não somente dotasse o homem de autonomia, mas também abrisse mão de alguns de seus atributos, dentre eles a sua onisciência, e soberania.
De fato a Escritura fala de uma espécie de esvaziamento divino. Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz (Fp 2. 5-8). Mas esse esvaziamento do qual fala a Escritura não é o mesmo esvaziamento proclamado pela teologia relacional. O esvaziamento do qual fala a Escritura:I - Diz respeito à encarnação: A Escritura não trata de esvaziamento divino, senão em relação à segunda pessoa da trindade no mistério de sua encarnação.
II – Não foi ontológico: Esse esvaziamento não significa que Cristo em sua encarnação deixou de possuir os atributos da sua divindade, mas que abriu mão de usá-los ordinariamente. Por vezes, no entanto, seu poder, conhecimento e soberania eram manifestos.
Dito isso, resta-nos responder a seguinte pergunta: A Bíblia apresenta um Deus limitado em poder, conhecimento e soberania? A resposta é um sonoro NÃO. O Deus apresentado pela Escritura Sagrada é:I – Supremo Senhor e governador de toda a criação: Ao SENHOR pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam. Fundou-a ele sobre os mares e sobre as correntes a estabeleceu (Sl 24.1-2); “No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada.” (Sl 115.3); Jurou o SENHOR dos Exércitos, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e, como determinei, assim se efetuará. Porque o SENHOR dos Exércitos o determinou; quem, pois, o invalidará? A sua mão está estendida; quem, pois, a fará voltar atrás? (Is 14. 24,27)
II – Pleno Conhecedor de todas as coisas (presentes, passadas e futuras): E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas (Hb 4.13); SENHOR, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda (Sl 139. 1-4). Quem há, como eu, feito predições desde que estabeleci o mais antigo povo? Que o declare e o exponha perante mim! Que esse anuncie as coisas futuras, as coisas que hão de vir! (Is 44.7);
Conclui-se assim, que, a afirmação de que Deus limitou-se em seu ser e no seu agir para relacionar-se com o homem não encontra guarida na Escritura Sagrada.
Deus tem em si mesmo, e de si mesmo, toda a vida, glória, bondade e bem-aventurança. Ele é todo suficiente em si e para si, pois não precisa das criaturas que trouxe à existência, não deriva delas glória alguma, mas somente manifesta a sua glória nelas, por elas, para elas e sobre elas. Ele é a única origem de todo o ser; dele, por ele e para ele são todas as coisas e sobre elas tem ele soberano domínio para fazer com elas, para elas e sobre elas tudo quanto quiser. Todas as coisas estão patentes e manifestas diante dele; o seu saber é infinito, infalível e independente da criatura, de sorte que para ele nada é contingente ou incerto. Ele é santíssimo em todos os seus conselhos, em todas as suas obras e em todos os seus preceitos. Da parte dos anjos e dos homens e de qualquer outra criatura lhe são devidos todo o culto, todo o serviço e obediência, que ele há por bem requerer deles. (CFW, II,2)
Rev. Filipe Costa Fontes
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