A SUBLIME VOCAÇÃO DA MATERNIDADE

Em Gênesis 3.15 temos o primeiro anúncio da promessa do evangelho. Logo depois da queda o Criador anuncia que enviaria o Salvador que esmagaria a cabeça da serpente. Deste modo, o primeiro casal ouviu o anúncio da graça. E a promessa da graça anunciada envolvia a maternidade: “Porei inimizade entre ti [a serpente] e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3.15). Assim, a maternidade foi um dos meios escolhidos pelo Criador para trazer a salvação ao mundo. A salvação não viria por meio dos esforços do homem no cumprimento do mandato cultural, mas por meio da gravidez da mulher. A maternidade está no centro do projeto redentor cuidadosamente elaborado por Deus.

Nós sabemos que Gênesis 3.15 fala de uma gravidez específica. A mencionada semente da mulher é uma referência a Jesus Cristo. Aquele que nasceria de uma virgem, Maria. Foi Ele quem deu o golpe mortal, de maneira decisiva, na cabeça da serpente no Calvário. Ele comprou a salvação para todos os redimidos. No entanto, a narrativa bíblica nos mostra que, mesmo antes de Jesus Cristo, a maternidade cumpriu um papel central no avanço do Reino de Deus contra as forças satânicas. Portanto, Deus deu à maternidade um papel estratégico na história da redenção.

É digno de nota que Deus tenha usado mulheres piedosas para levantar líderes poderosos. Podemos citar como exemplos da narrativa bíblica Joquebede, a mãe de Moisés; Ana, mãe de Samuel; a esposa de Manoá, mãe de Sansão; Isabel mãe de João Batista e Eunice, a mãe de Timóteo. Outros exemplos podem ser citados da história posterior: Mônica, mãe de Agostinho, que vivia entre lágrimas, lamentando a vida do filho e orando fervorosamente para que ele encontrasse a verdadeira fé. Mais tarde Agostino afirmaria: “Se sou teu filho, ó Senhor, foi porque me deste tal mãe!”. “Devo à minha mãe tudo de útil que realizei na vida”, afirmou também o conhecido evangelista Dwight Moody. Enfim, o progresso do Reino de Deus depende muito da influência fervorosa, sábia e piedosa das mães.

Corretamente afirmou o Rev Walter J Chantry: “Através da gravidez e da maternidade o curso da história foi maravilhosamente alterado. O trabalho da graça de Deus está diretamente relacionado à maternidade. E desde que Cristo veio, uma descendência piedosa leva o evangelho a toda a terra para expandir o Reino e reunir os eleitos de Deus. A geração e o levantamento de uma descendência piedosa ainda são de imensa importância para a causa de Deus na terra. Nada pode substituir o cuidado e o treinamento de uma mãe piedosa e fiel.”

Todavia, há uma tendência na sociedade contemporânea de ver os filhos como um aborrecimento a ser evitado. Uma evidência disto é a cultura do aborto que permeia a mentalidade reinante nos nossos dias. A mulher contemporânea busca o que entende ser vocações mais nobres e elevadas. Ela está ansiosa para abandonar a maternidade a fim de encontra a sua dignidade em outras vocações. Mas quando abandonam a maternidade desprezam o meio cuidadosamente projetado por Deus para quebrar o jugo do diabo.

Mesmo mulheres crentes querem vocações mais importantes, chamados e ministérios mais nobres. Muitas delas têm uma visão depreciativa acerca da tarefa de mãe. Contudo, a esperança da igreja e a esperança do mundo estão ligadas à criação de filhos e, consequentemente, à maternidade. Muitos podem pensar que este é um apelo emocionalista só para colocar as mulheres em desvantagem mais uma vez. Mas quando olhamos o mundo contemporâneo por meio das lentes da Escritura concluímos que muitas mulheres têm trocado sua mais alta dignidade por coisas menores.

A Bíblia nos convence de que a maternidade é a mais sublime vocação dada por Deus às mulheres. É uma vocação para a vida inteira. E mais importante do que qualquer outra que a mulher possa exercer. Existe nesta vocação mais importância do que podemos imaginar. Mulher encare isto com seriedade e Deus abençoará a vindoura geração. A mentalidade deste mundo rebelde vai dizer que você não está realizando nada significativo. Mas no devido tempo você terá o selo da bênção e da aprovação de Deus sobre os seus esforços.

Rev. Paulo Ribeiro Fontes

A DESVALORIZAÇÃO DA BÍBLIA ENTRE NÓS, CRISTÃOS TRADICIONAIS!

Nós, cristãos tradicionais costumamos acusar os não tradicionais de desvalorização para com o ensino bíblico. No entanto, não creio que este seja um problema exclusivo de igrejas não tradicionais. Uma autorreflexão radical poderá mostrar que a desvalorização para com a Bíblia é um problema presente também no seio de nossas igrejas tradicionais. Chego a essa conclusão através de algumas percepções, muito particulares, mas que talvez sejam compartilhadas por outros como eu.

 

1)      A exposição dos crentes ao ensino bíblico em nossas igrejas é cada dia menor. Há anos atrás, quando eu era ainda um adolescente vivendo no interior de Minas Gerais, eu frequentava uma igreja, em que, pelo menos por 5 vezes na semana, os crentes estavam submetidos ao ensino das Escrituras; na segunda-feira em um culto nos lares, na quarta-feira nos estudos bíblicos na igreja, às sextas-feiras nas reuniões de oração, aos domingos pela manhã na Escola Dominical, e no culto à noite. Hoje em dia, vivendo e pastoreando em São Paulo percebo que a maioria dos crentes se expõe ao ensino bíblico na igreja, quando muito, 2 vezes na semana, aos domingos. É claro que uma comparação ipsis literis entre a realidade do interior de Minas Gerais a 15 anos atrás e a São Paulo atual seria ingênua. Estou plenamente consciente das diferenças entre as duas realidades. Mas o fato permanece: nos submetemos hoje ao ensino bíblico menos que antes. O que significa, pelo menos, que, neste sentido, não acompanhamos as mudanças culturais que experimentamos.

2)      O ensino regular e sistemático da Bíblia sofre cada vez mais resistência. As igrejas tradicionais, de modo geral, não abandonaram a Bíblia. Ela continua presente em quase todas as suas atividades. No entanto, o estudo comprometido e sistemático da Escritura parece estar sendo substituído por momentos estanques, isto é, pelas “palavrinhas”, mais comumente denominadas “devocionais”. A impressão que às vezes tenho é que, em muitas ocasiões, a Bíblia tem servido mais como uma espécie de verniz espiritual para “cristianizar” um determinado evento ou programação, do que como alimento sólido, propriamente dito. A resistência ao ensino regular e sistemático da Bíblia se vê, por exemplo, na reação das pessoas a sermões em série. Não é incomum que o anúncio de sermões em série, na igreja, seja recebido com insatisfação. Talvez isto se deva, em parte, à divinização da mudança, e à demonização do permanente, próprio da nossa cultura pós-moderna.

 

3)      O poder da Bíblia é cada vez mais questionado. A pós-modernidade é também muito pragmática. Em nosso tempo esperamos respostas simples, que apontem ações práticas, e resolvam nossas crises e problemas imediatamente. Por isso, diante de crises ou desafios, nós parecemos acreditar mais na eficiência de nossas ideias, projetos e ações, do que no poder da Escritura. Quando estão no olho do furacão, o convite à verificação da vontade de Deus revelada na Bíblia parece soar a muitos crentes e até líderes tradicionais, uma ação inútil; perda de tempo. Tomei conhecimento a tempos atrás de um pastor que dissera que os problemas de sua igreja não seriam resolvidos com oração e estudo bíblico.

 

Esta constatação é profundamente preocupante, por uma simples razão: a Bíblia é o meio estabelecido por Deus para a transformação de pessoas, edificação da igreja e renovação da sociedade. Escrevendo a Timóteo, o Apóstolo Paulo atesta: Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra (II Tm 3.16-17). Estas palavras revelam que quando nos afastamos da Bíblia, estamos nos afastando do instrumento de transformação de Deus. Se a Bíblia não nos transformar, individual e coletivamente, enquanto igreja e sociedade, não serão nossas ideias, planos e estratégias que o farão. Somente depois de redescobrir verdadeiramente a Bíblia poderemos experimentar as transformações que ela pode realizar em nossa vida, na igreja e na sociedade.

O poder e a necessidade da Bíblia são atestados por muitas outras passagens, como por exemplo:

A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos. O temor do Senhor é límpido e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente, justos. São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos. (Salmo 19.7-10)

 

Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei. (Isaias 55.10-11)

 

Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas. (Hebreus 4.12-13)

 

Diante do quadro apresentado, seguem, algumas dicas práticas:

 

a)      Aos indivíduos:

1)      Procure se expor com mais frequência ao ensino da Bíblia. Há muitos cristãos que poderiam participar dos estudos bíblicos semanais e reuniões de oração, por exemplo, e que não o fazem por desânimo ou irresponsabilidade. Se este é o seu caso, tome a decisão de lutar contra si mesmo para estar junto aos seus irmãos nestas ocasiões, se expondo ao ensino da Bíblia. Numa cidade grande como SP, no entanto, é possível que outras pessoas não consigam sequer chegar a tempo das reuniões semanais em sua igreja ou não possam, justificadamente, frequentá-los. Neste caso, uma alternativa é utilizar-se da tecnologia para promover esta exposição. Você pode ouvir a Bíblia enquanto dirige, por exemplo. Pode também ouvir pregadores fiéis em sua casa, pela internet. Sugiro dois canais que possuem material suficiente para um bom tempo:

- Conferência Fiel: http://www.editorafiel.com.br/videoteca.php

- Programa Verdade e Vida: http://www.verdadeevida.com/portal/

 

2)      Lute contra a tendência à superficialidade. Procure estudar a Bíblia regular e sistematicamente. Há bons livros que podem servir de guia para um estudo sistemático da Bíblia. A revista Expressão, ou a série de estudos bíblicos de John Stott, ambos publicados pela Editora Cultura Cristã, são exemplos de material que pode ser útil para este propósito.

- Revista Expressão: http://www.editoraculturacrista.com.br/categorias.asp?codigo=17

- John Stott: http://www.editoraculturacrista.com.br/resultadopesquisa.asp?search=stott&tipo=op1

 

Algumas pessoas são indisciplinadas e dependem de firmar um compromisso oficial para realizar algumas atividades que não realizariam, se não o tivessem firmado. Se este é o seu caso, você não pode prescindir da Escola Dominical de sua igreja, e pode se utilizar de cursos em instituições sérias. Deixo duas dicas:

- Cursos livres do Seminário JMC: http://www.seminariojmc.br/datafiles/capa/capa.htm

- Curso EAD do Andrew Jumper: http://www.mackenzie.br/especializacao_on-line.html

 

3)      Ore por fé na Palavra de Deus. Fé, confiança, é algo que apenas Deus pode gerar em nosso coração (isto não vem de vós, é dom de Deus). Duvidar de si mesmo e confiar na Bíblia é uma capacidade sobrenatural dada por Deus. Por isso, ore por fé na Bíblia.

 

b)     Às igrejas:

1)      Precisamos pensar em meios para possibilitar aos crentes uma maior exposição às Escrituras. Para isso dias, horários e locais de reuniões podem ser flexibilizados. Em cidades grandes como SP, grupos familiares divididos geograficamente podem ser oportunos. Também, neste caso, a tecnologia pode ajudar muito. A transmissão ao vivo e gravação e futura disponibilização dos estudos bíblicos semanais na internet (o que hoje não é algo tão difícil de fazer), pode ser muito útil.

 

2)      Precisamos também oferecer oportunidades de ensino sério, profundo e sistemático da Bíblia. As igrejas podem investir na Escola Dominical, treinando seus professores. Elas devem fomentar o ensino sério na Bíblia em suas sociedades internas. E o incentivo ao constante aperfeiçoamento do Pastor deve também marcar as nossas igrejas.

 

3)      Precisamos mostrar praticamente que cremos no poder da Bíblia. Os oficiais da igreja (Presbíteros e Diáconos, no caso da IPB) devem ser as pessoas mais apegadas à Bíblia, dentre todos os demais crentes. Eles, mais do que todos, devem se dedicar ao estudo da Bíblia e à prática da mesma diante de seus liderados. Devem ainda planejar e executar o planejamento da igreja debaixo da orientação da Bíblia, e conduzir os crentes remetendo-os sempre à Palavra de Deus. Somente assim eles serão exemplos de apego à Palavra de Deus.

 

Redescobrir a Bíblia! Esse é o caminho para a transformação do indivíduo, da igreja e da sociedade. E é algo que cristãos e igrejas tradicionais também precisam fazer.

 

Filipe Fontes

UM TÍPICO ALMOÇO DE DOMINGO NA CASA DA FAMÍLIA FONTES

Com raríssimas exceções, todas as semanas, temos reunido a família em torno da mesa do almoço de domingo: filhos, genro, nora e… claro… as netas. E um dos momentos mais preciosos desta bênção para mim é a sobremesa. Não… eu não estou falando das delícias que a Eliane normalmente prepara e serve com a habilidade e o carinho que somente ela tem. Eu me refiro àquele momento em que, depois do almoço e antes de nos dispersarmos, nos jogamos no sofá e nos amontoamos no pouco espaço do chão da sala para conversar um pouco.

Neste momento, normalmente falamos sobre tudo. Coisas, sem muita importância, tais como o desempenho do mengão, aquela música apreciável, o vídeo engraçado do Youtube e o último avanço da tecnologia podem estar na pauta da conversa. Com duas netas pequenas e um neto a caminho a educação cristã de filhos é assunto de quase todos os domingos. Sendo eu e o filho mais velho, pastores; sendo o genro, presbítero; e sendo o filho mais novo, músico que juntamente com todo o restante da família estão – pela graça de Deus – integrados na igreja; o ministério da igreja local quase sempre está na pauta da conversa.

Ontem além da desclassificação do Flamengo na Taça Libertadores, da criação de filhos nos caminhos do Senhor e da escolha do nome do neto que está para chegar, falamos também sobre o desafio de se pregar o evangelho num mundo pós moderno. O ponto central desta nossa conversa era sobre a tarefa de fazer a verdade revelada por Deus fluir da Bíblia para a vida das pessoas às quais ministramos. E assim, falamos do desafio de ser fiel às Escrituras e ao mesmo tempo relevante para o mundo contemporâneo. Falamos da necessidade de conhecer o mundo em que vivemos e de sermos sensíveis a ele. Falamos da necessidade de relacionar a verdade bíblica com a situação existencial dos nossos ouvintes. Falamos da necessidade de permanecer no Evangelho e dos riscos de uma busca acrítica da relevância.
Neste contexto evocamos John Stott e o seu livro “Eu Creio na Pregação”, onde ele expõe o seu conceito de pregação como edificação de pontes entre dois mundos. Jay Adams também foi citado por causa de sua convicção de que a pregação não deve conter aplicação, mas deve ser aplicação. O Filipe fez a crítica dos meus dois últimos sermões. E de quebra, rolou também alguma conversa sobre a guarda do dia do Senhor. E, como conseqüência, falamos ainda sobre a continuidade e a descontinuidade entre antiga e nova aliança. Depois nos despedimos e nos dispersamos cada um para o seu canto.
Assim foi o nosso almoço de ontem. Um típico almoço de domingo na casa da família Fontes. O que me lembra sempre a promessa do Salmo 128: “Feliz aquele que teme a Deus, o SENHOR, e vive de acordo com a sua vontade! Se você for assim, ganhará o suficiente para viver, será feliz, e tudo dará certo para você. Em casa, a sua mulher será como uma parreira que dá muita uva; e, em volta da mesa, os seus filhos serão como oliveiras novas. Quem teme ao SENHOR certamente será abençoado assim. Que, lá do monte Sião, o SENHOR o abençoe! Que, em todos os dias da sua vida, você veja o progresso de Jerusalém! E que você viva para ver os seus netos! Que a paz esteja com o povo de Israel!”

E aqui estou eu começando mais uma semana de lutas com o coração cheio de gratidão por tudo isto e aguardando ansiosamente pelo almoço do próximo domingo. Além disso, fico cada dia mais convencido de que a gente não precisa de muita coisa para ser feliz quando Deus mesmo é o nosso maior tesouro.

SOLI DEO GLORIA

Rev. Paulo Ribeiro Fontes

O ENGANO DA BELEZA

Certamente que você conhece o dito clássico creditado ao poeta Vinícius de Moraes: “As feias que me desculpem, mas beleza é fundamental”. E parece que a opinião do poeta fez mesmo a cabeça da nossa cultura. Pois uma das obsessões mais notáveis na nossa sociedade é a busca da beleza física. O faturamento da indústria brasileira de beleza passou de R$ 15,4 bilhões para R$ 27,3 bilhões, uma alta de 77% em cinco anos.

Todavia, meio que na contra mão do que disse Vinícius de Moraes, o sábio disse: “Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa será louvada.” (Provérbios 31.30) Será que este provérbio bíblico está ensinando que a preocupação com a aparência seja em si mesma algo pernicioso? Será que a Bíblia é contra a beleza? Será que cultivar e apreciar o belo seja errado? Certamente que não. Afinal, Deus nos fez com o senso estético. Isto significa que fomos projetados para cultivar e apreciar o belo.

Portanto o propósito do provérbio bíblico em questão não é o de condenar a beleza. O propósito deste provérbio é nos alertar sobre as armadilhas e as ciladas que existem na busca descuidada e imprudente da beleza física. O sábio quer que saibamos que a beleza e a formosura são enganosas. Isto significa que não devemos ser ingênuos. Mas devemos viver de maneira criteriosa no mundo. Precisamos aprender a expor as mentiras e os enganos desta busca obsessiva da beleza física característica de nossa cultura.

Considere o seguinte: “Qual é a aparência e a forma ideal?”; “Quem determina qual deve ser a nossa aparência?” Isto é importante porque a nossa cultura nos cerca com vozes que pretendem determinar qual deve ser a nossa aparência. É o sistema deste mundo que determina qual é a forma padrão que deve ser buscada. E a mídia cuida de massificar estes padrões que devemos seguir. Em outras palavras, a televisão, os filmes e as revistas se incumbem de nos ensinar qual “aparência” deve ser valorizada. Mas qual é o problema com isto?

Em primeiro lugar você corre o risco de ser escravizado por um sistema de crenças e valores falsos. Você corre o risco de permitir que o sistema de crenças e valores falsos deste mundo decaído defina a sua noção de bem e mal, de sucesso e fracasso, de valor e estigma. A sua noção de bem e mal, de sucesso e fracasso, de valor e estigma deve ser definida pelas Escrituras, nossa única regra de fé e norma de conduta. Então o problema com esta busca frenética da beleza física é que você pode estar permitindo que as mentiras próprias da cultura usurpem o papel da verdade de Deus na sua vida. A sua regra de fé e prática deixa de ser a Bíblia para ser o sistema de valores deste mundo.

Em segundo lugar você corre o risco de se envolver num processo idólatra. Este sistema de falsos valores, padrões e crenças atua atraindo aquilo que já reside no nosso coração. Ele desperta os anseios e paixões do nosso coração enganoso. Ele promete satisfazer os desejos do seu coração. É por isso que você se agarra às mentiras da cultura. Você acredita que se tiver aquela aparência estabelecida como padrão você será uma pessoa de sucesso, será feliz e realizada. Neste caso a sua busca torna-se, muito mais do que uma busca da beleza física. Em última instância você estará buscando coisas tais como significado, aceitação, popularidade e segurança. Estará buscando no ídolo da aparência física aquilo que deveria se encontrado no único Deus verdadeiro. E neste caso você terá deixando a fonte de águas vivas e estará cavando cisternas rotas que não retém as águas.

“Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios” (Efésios 5.15)

Rev. Paulo Fontes

Ciência e Fé Cristã podem conversar?

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A glória de Deus é encobrir as coisas, mas a glória dos reis é esquadrinha-las.

 Provérbios 25.2

Hoje alguém me perguntou ressabiado se é possível fazer a fé cristã e ciência conversarem. Nada estranho! Afinal, de modo geral, para o nosso tempo, fé em Deus é fé em Deus, e ciência é ciência. Aliás, talvez a maioria das pessoas em nossos dias, contraponha o pensamento cientifico não apenas ao conhecimento de Deus, mas à fé, em geral, como se houvesse uma contradição necessária entre ambos, e uma conversa entre eles fosse algo impossível. Se a pergunta fosse quanto a contradição entre ciência e fé, a resposta voltaria imediatamente em forma de outra pergunta: E quando foi que elas deixaram de se falar? Mas como a pergunta qualificou a fé, o diálogo continua.

Apesar deste status quo contemporâneo, à luz de uma cosmovisão cristã não existe uma contradição necessária entre o conhecimento científico e o conhecimento de Deus, isto é, elas não são necessariamente inimigas. Pelo contrário, de acordo com a revelação bíblica, o mundo foi trazido à existência por Deus, e, portanto, está repleto de traços autorais dele. Nas palavras de Davi: Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos (Salmo 19.1). E, nas palavras do Apóstolo Paulo: os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas (Romanos 1.20). Isto significa que, o verdadeiro conhecimento científico, ao invés de nos afastar de Deus, deveria nos aproximar dEle. Na perspectiva bíblica, ciência e fé cristã deveriam conversar sempre. Aliás, a ciência moderna nasceu em solo cristão. Schaeffer afirma que os primeiros cientistas modernos alimentavam a convicção, em primeiro lugar, de que Deus proporcionou o conhecimento ao homem através da Bíblia – conhecimentos acerca do próprio Criador e também acerca do universo e da história. A afirmação de Schaeffer se confirma, por exemplo, na declaração de Copérnico, de que estava tentando descobrir o mecanismo do universo, feito para nós por um criador supremamente bom e ordeiro. Os primeiros cientistas tinham a percepção de que as regularidades presentes na realidade apontam para um “projeto inteligente”, e criam ser Deus a origem do mesmo. Eles sabiam exatamente da glória de Deus e da glória dos reis.

Então, pergunto: por que tem sido disseminada a ideia de uma contradição necessária entre ciência e fé cristã? Não há espaço nessa pequena reflexão para apontar com a devida abrangência e profundidade todas essas razões; talvez técnicamente até haja, mas poucos leriam até o final. Mas, poderíamos resumir afirmando que isto é uma questão de princípio (cosmovisão). Embora a ciência moderna, cujos princípios estão, de modo geral, ainda vigentes, tenha nascido em solo cristão, ao longo do tempo ela conversou e tornou-se amiga demais de uma cosmovisão materialista, ou naturalista, cuja premissa básica (de fé, diga-se de passagem) é que o mundo material é tudo o que existe, e que qualquer explicação digna do status de “científica” precisa manter-se nos limites da materialidade. Consequentemente, ela passou a excluir qualquer possibilidade de que seja válida uma explicação que considere um ponto de transcendência, isto é, que explique o mundo material, levando em conta algo ou alguém que esteja fora dele. Assim, nasceu a dissociação entre fé cristã e ciência. E, a partir de então, embasada nesta suposta dissociação, e relegando o conhecimento de Deus ao nível de um conhecimento inferior, esta cosmovisão materialista, tem estendido suas asas sobre o conhecimento científico de modo total e abrangente. Em resumo, a irreconciliável inimizade entre ciência e fé cristã não passa de estratégia de batalha, que afasta o inimigo e facilita o domínio territorial.

Eis, portanto, minha resposta: não existe uma contradição necessária entre a ciência e o conhecimento de Deus – existe uma contradição necessária entre a ciência materialista e tal conhecimento. No entanto, substituídos os fundamentos, haverá uma eterna conversa entre ciência e fé cristã, pois será possível redescobrir a verdade de que a glória de Deus é encobrir as coisas, mas a glória dos reis é esquadrinha-las.

Filipe Fontes

A INSACIÁVEL SEDE DA ALMA

O autor do Eclesiastes disse que Deus colocou a eternidade no coração do homem (Eclesiastes 3.11). Isto significa que Deus encheu o coração humano de anelos pelo eterno. É desta experiência que o salmista falava quando afirmou: “a minha alma tem sede de ti” (Salmo 63.1). Esta é a causa da inquietação universal. Não há um ser humano sequer plenamente satisfeito. Nós estamos sempre desejando e buscando mais: mais dinheiro, mais conhecimento, mais prazeres, mais beleza, mais segurança, mais alegria, mais saúde, etc. etc. etc. Convivemos com um anseio insaciável neste mundo.

Mas o problema é que nós não sabemos pelo que anelamos. Tentamos satisfazer este anseio por meio de férias com paisagens pitorescas, habilidades criativas, produções cinematográficas extraordinárias, aventuras sexuais, esportes espetaculares, comida e bebida, drogas, dentre muitas outras coisas. Mas o anseio permanece. O que isto significa? C. S. Lewis responde: “Se encontro em mim um desejo que nenhuma experiência deste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é a de que fui criado para um outro mundo”.

John Piper também falou sobre a nossa tentativa de satisfazer este anseio insaciável por meio das coisas criadas: “A tragédia do mundo é que o eco é confundido com o grito que o iniciou. Quando estamos de costas para a beleza fascinante de Deus, fazemos sombra na terra e nos apaixonamos por ela própria. Mas isto não nos satisfaz verdadeiramente. Os livros ou a música onde pensamos estar a beleza nos trairão se confiarmos neles… Pois eles não são a coisa em si; eles são somente o aroma de uma flor que não encontramos, o eco de um tom que ainda não ouvimos, notícias de um país que nunca visitamos”

À mulher samaritana que procurava satisfazer o anseio de seu coração por meio de relacionamentos amorosos, Jesus disse: “Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva… Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (João 4.10,13,14)

Daí a mensagem do Eclesiastes: nenhuma coisa criada pode trazer satisfação plena e duradoura ao coração do homem. Enquanto estivermos buscando nas coisas criadas a satisfação da nossa alma estaremos correndo atrás do vento. Será uma busca vã e inútil. Será vaidade de vaidade e correr atrás do vento. Daí também a famosa oração de Agostinho: “Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Ti”. Em outras palavras, esta nossa busca haverá de continuar até que nós vejamos o quão formidável Deus é.

Finalmente, precisamos saber que a Beleza encantadora deste outro mundo para o qual fomos criados nos visitou: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (João 1.14). Contemplar tal beleza pode custar a sua vida. Mas valerá a pena, pois sabemos, baseados na autoridade da Palavra de Deus, que “a tua graça é melhor do que a vida” (Salmo 63.3). Foi exatamente isto que Paulo descobriu: : “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo” (Filipenses 3.8)

Rev. Paulo Fontes

Não sou marxista por que sou cristão!!!

Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus,
porque ele salvará o seu povo dos pecados deles (Mt 1.21).

Hoje alguém me perguntou: Por que você não é marxista? Por que a igreja não assimila o marxismo, se ambos lutam pela igualdade social? Questões mais acadêmicas à parte, a resposta foi simples: Não sou marxista por que sou cristão. O que quis dizer com essa curta resposta? Em síntese, o marxismo radical é uma teoria sócio-política que defende que o problema humano é fundamentalmente econômico: o capitalismo, e que a superação do capitalismo e a instauração do socialismo, um regime de produção diferente, é a resposta para os problemas sociais humanos. Quando disse que sou cristão, quis simplesmente dizer que tenho uma compreensão diferente sobre o real problema humano e da resposta para tal problema.

A réplica foi imediata: E a teologia da libertação? Para os não especialistas, meu interlocutor quis me lembrar o fato de que há alguns anos tem havido uma tentativa de conciliar o marxismo e o cristianismo. É verdade. E os que tentam fazê-lo, enfatizam que a obra de Cristo Jesus possui uma natureza social, isto é, o núcleo da obra de Jesus Cristo teria sido libertar os socialmente oprimidos das mãos dos seus opressores.

Então veio a tréplica: É verdade que obra de Cristo foi por natureza uma obra de libertação. Mas a pergunta central é: libertação do que? Não se pode desconsiderar que há um elemento social e na obra de Jesus Cristo. Ele mesmo aplicou a si a profecia de Isaias que diz: O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor (Lucas 4.18-19). No entanto, é importante ressaltar o fato de que o núcleo da obra de Cristo diz respeito a outra liberdade, e que a liberdade social é uma implicação natural da liberdade outra que Cristo concede.

O evangelista Mateus registra que quando do nascimento de Cristo, um anjo orientou a José que desse um nome específico ao menino que haveria de nascer do ventre de Maria, e a relação feita pelo próprio anjo desse nome com a sua função, é reveladora; Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles (v.21). Essas palavras ensinam que:

Cristo veio para salvar. Em nossa cultura há pouca relação entre o nome de uma pessoa e a pessoa em si. Normalmente os critérios utilizados para a escolha de nomes em nossa cultura são dois: a beleza fonética e o desejo de homenagear alguém admirado. Na cultura judaica bíblica, no entanto, o nome de uma pessoa está diretamente relacionado, ora com o caráter (Jacó – Enganador), ora com algum acontecimento vivido (Moisés – tirado das águas), ora com sua função (Malaquias – Mensageiro). Quando o anjo ordenou a José que colocasse um nome específico na criança que nasceria de Maria, ele estava querendo revelar através desse nome quem era aquela criança, e qual era a sua missão. O nome Jesus, equivalente grego do hebraico Josué, que significa Yahweh é salvação, revela a missão salvadora de Jesus. Ele veio ao mundo para revelar de maneira inigualável a salvação de Deus aos homens.

Cristo veio salvar do pecado. A informação dada pelo anjo a José é que a missão de Jesus consistia em salvar o seu povo do pecado. Um correto entendimento da missão e da obra de Jesus Cristo neste mundo não pode desconsiderar essa segunda lição. A humanidade padece problemas de diversas ordens; física, emocional, social, política, econômica e outras. No entanto, o principal problema da humanidade, por que é a fonte de onde todos os demais problemas se originam, é de ordem espiritual, a separação entre o homem e Deus gerada pelo pecado (Is 59.2; Mt 15.19-20; Ef 2.14). O propósito da vinda de Cristo ao mundo é resolver este problema humano, e uma vez que este problema espiritual é resolvido, o homem colhe as benéficas consequências desta resolução nas demais áreas de sua vida. A libertação que Cristo veio trazer foi, na verdade, a libertação do homem da escravidão de si mesmo. E esta é a verdadeira libertação, que se reflete em todas as áreas da vida. Uma vez livre de si mesmo, o homem está habilitado a amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo, o que implica a libertação social.

Eis por que não sou marxista; por que sou cristão. Creio que o problema humano ultrapasse os limites do econômico, e que a verdadeira revolução é aquela provocada pelo encontro com Deus, na pessoa de Cristo Jesus; a partir de quando se pode ouvir: o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça (Rm 6.14).

Filipe Fontes

Dinheiro e Possessões em Provérbios

Dinheiro

(Devocional do Informativo Fiel de Julho/2011 – Editora Fiel)

O livro de Provérbios é um ótimo ponto de partida para desenvolvermos uma teologia bíblica sobre possessões materiais. Para iniciantes, há muitos versículos sobre este assunto. E, o que é mais importante, há várias linhas diferentes de ensino sobre o assunto. Se você começasse por Gênesis, poderia concluir que Deus sempre faz seu povo prosperar. Se começasse por Amós, poderia pensar que todas as pessoas ricas são opressoras. Mas Provérbios examina riqueza e pobreza sob vários ângulos. E, porque Provérbios é um livro de máximas gerais, os princípios que encontramos nos provérbios são mais facilmente transferíveis ao povo de Deus em diferentes épocas e lugares.

Recentemente, num domingo à noite, dei à minha congregação dez princípios extraídos de Provérbios sobre dinheiro e possessões materiais. Não quero apresentar todo o sermão aqui, mas achei que valeria a pena alistar, pelo menos, os pontos principais. Talvez eu possa apresentar os detalhes posteriormente.

Darei os pontos em ordem de quanto o livro de Provérbios diz sobre um princípio específico. Essa maneira de apresentá-los terminará com os temas mais importantes.

Dez princípios sobre dinheiro e possessões extraídos de Provérbios

1) Há extremos de riqueza e pobreza que oferecem tentações singulares à que vivem nesses extremos (Pv 30.7-9).
2) Não se preocupe em acompanhar o estilo de vida de seus amigos e vizinhos (Pv 12.9; 13.7).
3) Os ricos e os pobres são mais semelhantes do que pensam (Pv 22.2; 29.13).
4) Você não pode dar mais do que Deus (Pv 3.9-10; 11.24; 22.9).
5) A pobreza não é agradável (Pv 10.15; 14.20; 19.4).
6) O dinheiro não lhe pode dar segurança final (Pv 11.7; 11.28; 13.8).
7) O Senhor odeia aqueles que ficam ricos por meio de injustiça (21.6; 22.16, 22-23).
8) O Senhor ama aqueles que são generosos para com o pobre (Pv 14.21, 31; 19.7; 28.21).
9) Trabalho árduo e boas decisões levam geralmente a maior prosperidade (Pv 6.6-11; 10.4; 13.11; 14.24; 21.17, 20; 22.4, 13; 27.23-27; 28.20).
10) O dinheiro não é tudo. Não satisfaz (Pv 23.4-5). É inferior à sabedoria (Pv 8.10-11, 18-19; 24.3-4). É inferior à justiça (Pv 10.2; 11.4; 13.25; 16.8; 19.22; 20.17; 28.6). É inferior ao temor do Senhor (Pv 15.16). É inferior à humildade (Pv 16.19). É inferior a bons relacionamentos (Pv 15.17; 17.1).

Chegando a conclusões delicadas e achando a Cristo

Você não pode entender o ponto de vista bíblico sobre o dinheiro se não está preparado para aceitar diversas verdades mantidas em tensão.

Você talvez obtenha mais dinheiro se trabalhar bastante e for cheio de sabedoria. Mas, se toda a sua preocupação é obter mais dinheiro, você é um grande insensato.

O dinheiro é uma bênção da parte de Deus, mas você será mais abençoado se o der.

Deus lhe dá dinheiro porque ele é generoso; mas ele é generoso com você para que você seja generoso com os outros. E, se você é generoso em dar seu dinheiro, Deus será, provavelmente, mais generoso com você.

É sábio economizar dinheiro, mas não pense que o dinheiro lhe dá verdadeira segurança.

Riqueza é mais desejável do que pobreza, mas a riqueza não é tão boa quanto justiça, humildade, sabedoria, bons relacionamentos e o temor do Senhor.

Em 1 Coríntios 1.30-31, lemos que Cristo é para nós, da parte de Deus, sabedoria, justiça, santificação e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor. O dinheiro não pode lhe dar qualquer das coisas que você necessita essencialmente. Não pode torná-lo santo. Não pode torná-lo justo. Não pode salvá-lo de seus pecados. A riqueza é um sinal de bênção, mas é também uma das maiores tentações porque seduz você a gloriar-se em si mesmo. O dinheiro promete ser a sua dignidade e promete torná-lo auto-suficiente. Ele o convida a gloriar-se em outras coisas ou em outras pessoas, exceto no Senhor.

Portanto, dinheiro é totalmente uma questão de fé. Creia que fazer coisas à maneira de Deus é o melhor caminho para você. Creia que, se você der seu dinheiro, Deus pode dá-lo de volta. Creia que o dinheiro pode ser bom. Mas não ouse crer que ele é tudo. O dinheiro é um dom de Deus, mas os dons de que você realmente precisa só podem ser achados em Deus.

Kevin DeYoung

MENSAGEM ENVIADA AOS SENADORES

mordaca gay MENSAGEM QUE ENVIEI A TODOS SENADORES DA REPÚBLICA

Sr(a) Senador(a),

Considerando que o PLC 122/2006 poderá ser votado amanhã na Comissão de Direitos
Humanos. E considerando que o Supremo Tribunal Federal, no último dia 05, julgou legislando, de maneira infeliz, sobre a questão em consideração, venho mui respeitosamente dizer que:

1) Sou contra a aprovação do PLC 122/2006, porque este, ao criminalizar toda e qualquer manifestação contrária ao homossexualismo e às suas práticas, ferem o direito fundamental que cada cidadão tem de, livremente, manifestar-se, expressar-se e opinar sobre qualquer tipo de conduta moral ou tema social. A Constituição Federal garante a todos, como mandamento jurídico inviolável, o direito de se posicionar, a favor ou contrariamente, em relação a qualquer fato social ou comportamento humano. Vivemos sob a égide de um sistema constitucional que estabelece, ainda, como objetivo fundamental da República Federativa do Brasil a construção de uma sociedade livre, justa e plural, sem espaço para qualquer tipo de discriminação, inclusive a religiosa.

2) Sou contra a aprovação dos PLC 122/2006, porque este cerceia o direito
constitucional fundamental que temos de liberdade de consciência, crença e
culto. Ao afirmarem que toda e qualquer manifestação contrária ao
homossexualismo – incluindo aqui sermões e textos bíblicos que se posicionam
contra as práticas homossexuais – constitui-se em crime de homofobia – isto é,
violência contra os homossexuais – o Projeto está a estabelecer no Brasil o mais
terrível tipo de legislação penal, típica de Estados totalitários, os Crimes de
Mera Opinião. Repudiamos, veementemente, tal tentativa de censura e limitação
das liberdades individuais e coletivas, pois manifestar-se contrariamente – sem
violência – a respeito de um comportamento nada mais é do que o exercício
constitucional, legítimo e legal do direito de liberdade de consciência e
crença.

3) Sou contra a aprovação dos PLC 122/2006, porque a Constituição Federal nos afirma e estabelece que, ao contrário do que se quer realizar – isto é, tornar
crime manifestações religiosas, filosóficas, científicas e políticas reprovando
as práticas homossexuais – “ninguém será privado de direitos por motivo de
crença religiosa ou de convicção filosófica ou política” (CF, art. 5º, VIII).

4) Sou contra a aprovação dos PLC 122/2006, porque tais proposições
legislativas, por serem de natureza penal e não simplesmente civil,
demonstra-nos que o objetivo não é combater a violência contra os homossexuais,
mas sim impor tal condição a todos e torná-la imune de críticas ou de
posicionamentos contrários. A idéia das proposições legislativas referidas não é
conscientizar ou incluir; a idéia é “colocar na cadeia” qualquer do povo que
seja contrário ao homossexualismo e manifesta essa sua posição moral e de
consciência. Isso nos resta claro, tendo em vista os projetos de lei serem de
natureza criminal. Se assim não o fosse, nós nos solidarizaríamos e apoiaríamos
tal iniciativa legislativa, porque também somos contra toda e qualquer tipo de
violência.

5) Sou contra a aprovação dos PLC 122/2006, porque entendemos que o nosso
Ordenamento Jurídico – seja através da Constituição Federal, seja através das
demais leis ordinárias ou complementares deste país, já contemplam as
reivindicações de proteção que os adeptos do PLC 122/2006 busca implementar. Por exemplo, se qualquer cidadão sofrer contra si um ato de violência, seja ela física, psicológica ou moral, já temos leis penais suficientes para serem usadas
num caso como esse. Por qual razão, então, se querer privilegiar, concedendo
super direitos, verdadeiros privilégios, a um grupo específico? Todos são iguais
perante a lei! E se há necessidade de maior proteção a um grupo específico que
se criem políticas públicas de atendimento e não leis penais que visam colocar o
restante da sociedade na cadeia!

Paulo Ribeiro Fontes
Cidadão Brasileiro (Preocupado e Indignado)

Crianças e as tarefas da casa

As tarefas domésticas são oportunidades preciosas para demonstrar responsabilidade e maturidade crescentes. Bem, mas para pensar nelas, os pais precisam se lembrar de que quando os bebês chegaram a casa já possuía (espera-se) uma certa ordem e rotina! É natural que quase tudo passe a gravitar em torno do bebe no começo, mas é preciso retomar a normalidade. Afinal, ninguém quer educar uma criança como se fosse o centro de tudo!
A chegada de mais uma pessoa (que alguns adultos insistem em chamar de bebê até idade mais avançada) significa mais trabalho. Nada mais justo do que esta pessoa, ou criança se preferir, participar das tarefas da casa. Sem dúvida será um grande aprendizado para todos. Pais precisam evitar a idéia de que são meros serviçais que vão atrás da criança limpando e arrumando tudo o que sujam e desarrumam. E as crianças precisam de orientação a fim de que amadureçam quase que na mesma proporção em que crescem.
Seguem então algumas idéias de tarefas que podem ser realizadas por algumas faixas etárias.

Maternal (2 e 3 anos)
As crianças nesta fase gostam muito de ajudar. Embora a ajuda delas nesta fase nem sempre possa ser “aquela ajuda” de que precisamos, é importante manter a alegria de fazer a tarefa. Deve-se aproveitar ao máximo todo aquele potencial do “deixa que eu faço sozinha”.
A criança pode ajudar a carregar até coisas pesadas, ao apenas colocarem suas mãos naquilo que está sendo movido, e os pais incentivando: “Isso mesmo, força! Estamos quase conseguindo!” E depois, “Puxa vida, obrigado pela sua ajuda! Que bom que fomos um time aqui!”. Algumas pessoas chegam a comprar adesivos como “premiação”. Bem, isso depende de você. A parte importante é que ela esteja aprendendo que todos participam do trabalho, e que ela é uma parte importante.
Nesta idade, sempre com ajuda, a criança pode arrumar a cama, guardar livros e brinquedos, e até mesmo levar sua roupa para um cesto ou para um lugar específico na lavanderia. Ela pode alimentar bichinhos de estimação (com ajuda, lembre-se) e, importante, limpar ‘mais ou menos’ as sujeiras ou bagunças que faça com iogurtes, água, comida etc no tapete ou sofá.

Jardim (4 e 5 anos)
Nesta faixa etária as crianças ‘ainda’ acham bom e desafiador realizar as tarefas. Eles são até mesmo capazes de realizar diversas tarefas sem ninguém ficar espionando. Você pode até montar uma cartolina com etapas que culminam em uma premiação especial no aniversário, ou em outra data que a família escolher.
Algumas pessoas acham que este tipo de “recompensa” se parece com treinamento de animais! Longe disso! Na Bíblia vemos esta mesma estratégia (de Ex 19.5 a Cl 3.23-25 e até Apocalipse caps. 2 e 3 “Ao vencedor darei…” ). As esferas de trabalho da maioria das pessoas funciona à base de recompensa. Não vemos adultos mudando de trabalho porque não estava mais compensando? Ora, isto significa que apenas estamos treinando mais cedo, e eles gostam.
Nesta idade as crianças podem fazer os mesmos trabalhos da faixa anterior, e já podem ajudar a arrumar a mesa, ajudar a organizar as compras que foram feitas, e até mesmo participar trazendo coisas que são pedidas no preparo de algum alimento.

Fundamental, 1º ao 4º anos (6-9)
Nesta fase pode ser que muitos já não apresentem exatamente o entusiasmo que gostaríamos na realização de tarefas. Entretanto, há um traço importante que já vinha sendo marcado, e que agora se torna focal – o desejo de independência. As tarefas domesticas são de extrema importância para que o amadurecimento para uma vida independente venha acompanhado das tarefas que dão suporte a esta maturidade e independência desejados. Manter um registro em cartolina ou caderno é uma forma interessante de começar a mostrar a diferença entre o planejado e o realizado. Nesta fase até mesmo a vida financeira da família pode entrar para a conversa, pois o princípio doméstico do planejado e realizado precisa ser conhecido. Assim poderão perceber que responsabilidades completaram e quais ficaram pendentes.
Nesta idade eles podem fazer todas as outras atividades anteriores, além de poderem cuidar de animais sem supervisão (com o risco de algum passarinho fugir etc – mas considere como investimento em um estagiário), ajudar com o aspirador, tirar o lixo dos banheiros e da cozinha, dobrar a roupa do viral e ajudar de vez em quando no retoque da pintura nas paredes mais sujas da casa. Já podem começar a ajudar com a louça.

Fundamental, do 4º ao 8º anos (9-13)
Estes são os pré-adolescentes. Perceba o crescimento físico deles e secretamente considere quanta maturidade já adquiriram, especialmente na colaboração das tarefas da família. Nesta fase as palavras de ordem são continuidade, clareza e rotina. Estas coisas precisam não apenas ficar claras, como precisam ainda que sejam bem constantes. Será um longo processo de tentative e erro até que cheguem a uma conclusão de qual sistema de recompensa funciona melhor (pais e filhos participando deste processo). O fato é que eles precisam estar bem informados das consequências se não completarem as tarefas, assim como as recompensas ao cumprirem suas responsabilidades.
Além de tudo o que já dissemos antes, nesta idade eles podem ajudar a lavar o carro, ajudar a manter o carro limpo, lavar os pratos, ou enxugar ou guardar, ajudar a preparar refeições simples, limpar o banheiro, e utilizar máquinas de lavar roupa ou louça ou uma secadora, quem as tiver. Podem ainda aprender a separar suas roupas para lavar em cestos separados de roupas brancas, coloridas etc.

Médio, do 9º ao 11º anos (14-16)
Nesta fase podem colaborar com praticamente qualquer trabalho em casa. Considere apenas se a carga de aulas extra classe não está muito ‘puxada’.
Além das tarefas anteriores, podem ajudar especialmente com as listas de compras: preparar, realizar as compras e avaliar como está sendo o gasto da família. É muito desalentador um casal que acaba de se casar, mas que não fazem idéia do que comprar, de quanto sera a media de gasto para um casal, que produtos comprar etc.
Se nos lembrarmos de que crianças não são iguais (nem gêmeos), que cada uma tem seu ritmo de amadurecimento, e que nem todas farão o que os filhos de seus amigos fazem, seremos mais felizes. O mais importante é fazer como Deus faz conosco: ele orienta e supervisiona, e então avalia e recompensa. Todas as tarefas precisam ser orientadas a fim de que a autonomia delegada seja perceptível, e que acima de tudo, haja total dependência de Deus que nos capacita para toda obra que nos desenhou para realizarmos. Quando algo der errado, ou for difícil porque requer maior responsabilidade, falemos com Deus e peçamos sabedoria.

* Ainda que a sua casa empregue uma pessoa para cuidar do serviço doméstico, lembre-se de que estes trabalhos não são indignos de serem feitos pelos da própria casa; antes, são uma grande oportunidade de amadurecimento. Pais, neste caso sejam criativos e entendam que a casa é sua, e que a responsabilidade de ensinar também lhes pertence. Por que alguém deixaria de lado oportunidade caseiras tão boas quanto as dadas acima? Quem aprender a servir em casa estará apto a servir em qualquer lugar. Uma das parábolas no evangelho de Lucas (19.17) ensina que aquele que é fiel no pouco receberá de Deus autoridade sobre muito mais.